Professores, colonialismo e micropráticas no ensino da história
Resumen
Este artigo discute a permanência do colonialismo no ensino de História, destacando o papel do professor como agente político no enfrentamento da colonialidade presente nos currículos e nos livros didáticos. Fundamentado na noção de colonialidade do poder, o texto compreende o colonialismo como uma estrutura histórica de longa duração, cujos efeitos seguem organizando a produção do conhecimento histórico, a hierarquização dos saberes e a legitimação de determinadas narrativas. O objetivo central é analisar como essas permanências se manifestam no cotidiano escolar e de que maneira podem ser tensionadas por práticas docentes críticas. A partir de pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, ancorada no diálogo com o pensamento decolonial e a didática da História, analisa-se o descompasso entre a urgência contemporânea por mudanças educacionais e a persistência de perspectivas eurocentradas no ambiente escolar. O estudo problematiza, ainda, a centralidade dos livros didáticos como artefatos culturais e políticos, evidenciando seus limites na representação de sujeitos historicamente subalternizados e na incorporação de epistemologias não hegemônicas. Argumenta-se que, mesmo diante de constrangimentos estruturais, há margem para a atuação docente crítica por meio de micropráticas. Defende-se, portanto, que micropráticas docentes, materializadas em escolhas cotidianas de linguagem, fontes, imagens, abordagens metodológicas e narrativas, constituem caminhos possíveis e concretos para a construção de um ensino de História crítico, plural e comprometido com a justiça epistemológica, contribuindo para a formação de sujeitos históricos mais conscientes, reflexivos e capazes de problematizar as desigualdades que estruturam a sociedade.
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